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PALAVRA DO NOSSO BISPO DOM MANOEL

Palavra do Bispo Dom Manoel João Francisco MENSAGEM DA CNBB AO POVO BRASILEIRO

 

 De 01 a 10 de maio, os bispos do Brasil estiveram reunidos em sua Assembléia anual, aos pés da Padroeira e Rainha do Brasil, Nossa Senhora Aparecida.

         Foram 10 dias de intensa atividade. Vários textos foram produzidos. Aqui, neste nosso encontro semanal, vou me deter apenas num deles: a MENSAGEM DA CNBB AO POVO BRASILEIRO.
         Os bispos iniciam com uma frase do livro do Apocalipse:“Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21,5), desejando que “as alegrias pascais, renovem, no coração e na mente de todos, a fé em Jesus Cristo Crucificado-Ressuscitado, razão de nossa esperança e certeza de nossa vitória sobre tudo que nos aflige”.
            Em seguida, constatam, com gratidão a Deus e aos fiéis, os incontáveis sinais do Reino de Deus, expressos na ação solidária e fraterna daqueles que “consomem sua vida na transformação da sociedade e na construção da civilização do amor”. Se os sinais do Reino são causa de alegria, não se pode, porém, fechar os olhos para os igualmente numerosos “sinais de morte que ameaçam os filhos e filhas de Deus, especialmente, os mais vulneráveis. Estas situações são um apelo a que não nos conformemos com este mundo, mas o transformemos (cf. Rm 12,2), empenhando nossas forças na superação do que se opõe ao Reino de justiça e de paz inaugurado por Jesus”.
            Os bispos passam então a enumerar alguns destes sinais de morte. O primeiro é a crise ética, política, econômica e cultural que tem crescido sempre mais, cuja conseqüência é o aumento das desigualdades e a concentração de renda em níveis intoleráveis: ricos cada vez mais ricos e pobres ainda mais pobres. “Nesse contexto e inspirados na Campanha da Fraternidade deste ano, urge reafirmar a necessidade de políticas públicas que assegurem a participação, a cidadania e o bem comum. Cuidado especial merece a educação, gravemente ameaçada com corte de verbas, retirada de disciplinas necessárias à formação humana e desconsideração da importância das pesquisas”.
            O segundo sinal do anti Reino instalado em nosso país é a corrupção, “uma das causas da pobreza e da exclusão social na medida em que desvia recursos que poderiam se destinar ao investimento na educação, na saúde e na assistência social”. O “combate à corrupção passa por uma mudança de mentalidade que leve a pessoa compreender que seu valor não está no ter, mas no ser e que sua vida se mede não por sua capacidade de consumir, mas de partilhar”.  
Outra chaga social, que sinaliza morte em nosso país é o desemprego, cujo patamar, segundo dados do IBGE, já ultrapassou 13 milhões de brasileiros, além dos 28 milhões de subutilizados. A solução desta questão encontra-se no trabalho digno e no respeito à primazia da pessoa sobre o mercado e do trabalho sobre o capital, como ensina a Doutrina Social da Igreja.
A violência em níveis insuportáveis é outro sinal de morte com que nos deparamos. “Aos nossos ouvidos de pastores, afirmam os bispos, chega o choro das mães que enterram seus filhos jovens, das famílias que perdem seus entes queridos e de todas as vítimas de um sistema que instrumentaliza e desumaniza as pessoas, dominadas pela indiferença. O feminicídio, o submundo das prisões e a criminalização daqueles que defendem os direitos humanos reclamam vigorosas ações em favor da vida e da dignidade humana”.
            Vários outros problemas são lembrados pelos bispos: a mercantilização das terras indígenas e quilombolas, as atividades mineradoras e madeireiras e o agronegócio. Conforme o ensinamento do Papa Francisco “uma economia que coloca o lucro acima da pessoa, que produz exclusão e desigualdade social, é uma economia que mata” (EG 53). Exemplo concreto desde ensinamento são os crimes ocorridos em Mariana e Brumadinho com o rompimento das barragens de rejeitos de minérios.
            A reforma da previdência, segundo a mensagem dos bispos, só será legítima, se for feita “em vista do bem comum e com participação popular de forma a atender, em primeiro lugar, os pobres, “juízes da vida democrática de uma nação” (Exigências éticas da ordem democrática, CNBB - n. 72). Nenhuma reforma será eticamente aceitável se lesar os mais pobres”.
            Os bispos encerram sua mensagem, na certeza de que o Brasil desejado e querido pelos brasileiros somente “emergirá do comprometimento de todos com os valores que têm o Evangelho como fonte da vida, da justiça e do amor; de uma sociedade cujo desenvolvimento promova a democracia, preze conjuntamente a liberdade e a igualdade, respeite as diferenças, incentive a participação dos jovens, valorize os idosos, ame e sirva os pobres e excluídos, acolha os migrantes, promova e defenda a vida em todas as suas formas e expressões, incluído o respeito à natureza, na perspectiva de uma ecologia humana e integral”.
 
 
 
 
 
fonte dioceseprocopense.org.br