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Reflexão da Semana: “O Grito dos Excluídos" Por Dom Manoel João Francisco, Bispo da Diocese de Cornélio Procópio-PR.
07/09/2016 10:38 em Novidades

Reflexão da Semana: “O Grito dos Excluídos" Por Dom Manoel João Francisco, Bispo da Diocese de Cornélio Procópio-PR.
Desde 1995, capitaneado pelas pastorais sociais da Igreja católica acontece em muitas dioceses do Brasil, durante a Semana da Pátria, o Grito dos Excluídos. Trata-se de uma manifestação popular onde participam, além das pastorais da Igreja católica, outras entidades e movimentos comprometidos com a causa dos excluídos, ou seja, com as lutas por dignidade, justiça e direitos das pessoas. Os mais diferentes atores e sujeitos sociais se unem numa causa comum, sem deixar de lado sua especificidade.
O Grito acontece na Semana da Pátria porque nesta oportunidade comemora-se a independência do Brasil. É muito importante esta comemoração. Mas não pode reduzir-se a um ufanismo ingênuo, como o sugerido por Olavo Bilac na poesia “A Pátria”. É claro que todo brasileiro, por ser brasileiro deve amar com fé e orgulho a terra em que nasceu. Mas, justamente porque ama sua pátria, não poderá fechar os olhos, nem cruzar os braços diante dos problemas enfrentados pelo povo, especialmente o mais esquecido e empobrecido. “Nesta perspectiva, o Grito dos Excluídos se propõe a superar um patriotismo passivo, em vista de uma cidadania ativa e de participação, colaborando na construção de uma nova sociedade, justa, solidária, plural e fraterna. O Dia da Pátria, além de um dia de festa e celebração, vai se tornando também um dia de consciência política, de luta por uma nova ordem nacional e mundial. É um dia de sair às ruas, comemorar, refletir, reivindicar e lutar”.
Um patriotismo consciente não pode ficar indiferente diante da informação do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda, segundo a qual a sonegação de impostos beira a R$ 500 bilhões. O mínimo a ser feito deveria ser a instalação de um sonegômetro ao lado do impostômetro. Um patriotismo consciente exige que estejamos atentos a certos projetos leis que estão no congresso. Por exemplo, o PL 4567-2016 que autoriza as petrolíferas estrangeiras a se tornarem donas de jazidas no pré-sal, atingindo, em cheio, a soberania nacional e um patrimônio que garante riqueza para o país, permitindo repasse de verbas para a educação e a saúde.
São muitas as forma de fazer o Grito acontecer: romarias, atos públicos, participação no desfile do dia Sete, caminhadas, cursos, seminários, palestras. Tudo depende da criatividade e do envolvimento dos organizadores.
Cada ano, o Grito tem um lema nacional, mas pode ser trabalhado de forma diversificada, a partir da realidade e da conjuntura regional. O lema deste ano de 2016 é: “Este sistema é insuportável: Exclui, degrada e mata”. Foi inspirado no discurso do Papa Francisco no II Encontro Mundial com os Movimentos Populares realizado na Bolívia. Naquela oportunidade o Papa, de forma profética, fez afirmações muito sérias que não podem cair no esquecimento. Aqui lembro apenas cinco delas para acender nosso patriotismo nesta Semana da Pátria.
1) Os seres humanos e a natureza não devem estar a serviço do dinheiro. Digamos não a uma economia de exclusão e desigualdade, na qual o dinheiro reina em vez de servir. Esta economia mata. Esta economia exclui. Esta economia destrói a mãe terra.
2) A propriedade, sobretudo quando afeta os recursos naturais, deve estar sempre em função das necessidades das pessoas. E estas necessidades não se limitam ao consumo.
3) O novo colonialismo assume variadas fisionomias. Às vezes é o poder econômico do ídolo dinheiro, outras são os tais tratados de “livre comércio”. A concentração monopolista dos meios de comunicação social que pretende impor padrões alienantes de consumo e certa uniformidade cultural é outra das formas que adota o novo colonialismo. É o colonialismo ideológico. Digamos não às velhas e novas formas de colonialismo. Digamos sim ao encontro entre povos e culturas.
4) A casa comum de todos nós está sendo saqueada, devastada, arrasada impunemente. A covardia em defendê-la é um pecado grave. Vemos com crescente decepção, sucederem-se uma após outra conferências internacionais, sem qualquer resultado importante.
5) Peço-vos em nome de Deus que defendais a mãe terra.
Um agente de conscientização e mobilização ou de alienação muito eficaz são os meios de comunicação. Depende do uso que se faz dele.
O Grito dos excluídos tem também a finalidade de mobilizar a população para que exija a regulamentação dos vários artigos da Constituição Federal que tratam deste assunto. O Artigo 221, por exemplo, define que a produção regional e independente deve ser estimulada. No entanto, 98% de toda produção de TV no país é feita no eixo Rio São Paulo. Pela Constituição os meios de comunicação social são concessões renováveis de tempos em tempos. A da Globo, por exemplo, vence em 2018. A sociedade precisa conhecer e participar nesse processo.
Extraído do Portal http://www.dioceseprocopense.org.br/ Administrado pela Pastoral da Comunicação (PASCOM) Diocesana.

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