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PALAVRA DO NOSSO BISPO DOM MANOEL

Palavra do Bispo Dom Manoel João Francisco 

Culto aos Santos 

 

Infelizmente no dia 30 de dezembro do ano que findou, em torno das 20h00, uma pessoa com algum transtorno psiquiátrico, acrescido de certa dose de intolerância e fanatismo religioso, entrou na igreja matriz da Paróquia de Santa Cecília do Pavão e destruiu todas as imagens ali existentes. A maioria destas imagens, além da beleza artística, tinha também o valor afetivo e devocional de toda a comunidade. A Paróquia viveu, por isso, alguns dias de consternação. Graças a Deus, a compreensão e solidariedade dos senhores Walfrido e Adriano restauradores de imagens em Londrina e Ibiporã, e a fé do povo que se uniu e está contribuindo com sua ajuda em dinheiro ou em material, as imagens estão em vias de recuperação. A restauração não vai ser fácil, nem rápida, mas se Deus quiser, dentro de um tempo razoável teremos as imagens de volta na igreja de Santa Cecília do Pavão, para alimentar e sustentar a fé do nosso povo católico.

            Vou aproveitar a oportunidade para mais uma vez esclarecer a todos o sentido do uso das imagens e do culto que os católicos prestam aos santos e santas.

            Nós católicos romanos, como os demais irmãos das diversas Igrejas cristãs, adoramos única e exclusivamente a Deus, uno e trino: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A esta prática denominamos “culto de latria”. Adorar deuses falsos é idolatria, ou seja, culto aos ídolos. Aos santos e santas nós prestamos um culto de veneração, também chamado “culto de dulia”.

Deus quer que todos os batizados sejam santos. Nas cartas do Apóstolo Paulo a palavra “cristão” é substituída pela palavra “santo” (1Cor 1,2). Nós cremos que existe entre nós, pessoas batizadas, ou seja, santas, uma ligação invisível, mas real (Rm 12,4-5). A isso chamamos “comunhão dos santos”. Por isso podemos rezar ou interceder a Deus uns pelos outros (1Ts 5,25). Os pais não só podem, mas devem rezar pelos filhos e os filhos pelos pais, os avós pelos netos e os netos pelos avós. Podemos e devemos também rezar pelos desconhecidos. Assim como os santos da terra podem rezar uns pelos outros, da mesma forma, podemos pedir que os santos do céu intercedam a Deus por nós que ainda continuamos na terra. As graças alcançadas ou milagres não são dos santos, mas de Deus. É Deus quem concede a graça, ou realiza o milagre, por intercessão dos santos. Certos católicos usam expressões ambíguas e confusas que precisam ser corrigidas. Por exemplo: “Santa Teresinha me alcançou uma graça, ou realizou um milagre”. O correto é: “Por intercessão de Santa Teresinha, Deus me concedeu uma graça, realizou um milagre”.

 Além de intercessores, os santos do céu são para os santos da terra exemplo a serem imitados. Por isso, nas celebrações em honra aos santos com freqüência é lembrada a história de sua vida. Se para eles, que estão no céu, foi possível viver o Evangelho, com certeza também o será para nós que ainda estamos a caminho. Se São Francisco e Santa Clara abraçaram a pobreza de forma radical, nós também podemos viver de forma austera, sem vaidade nem esbanjamento. Se São Camilo de Lellis dedicou-se de corpo e alma a serviço dos doentes, nós também podemos fazer alguma coisa em pró da saúde pública, participando da Pastoral da Saúde da Paróquia ou da Diocese. Se Santa Teresa de Calcutá se envolveu com o povo da rua, nós também podemos pensar em fazer alguma coisa por esses irmãos que perambulam por nossas cidades. São milhares os santos de nossa de nossa Igreja e os exemplos que eles nos deixaram. 

È muito diferente o culto aos santos e o uso de suas imagens. Imagem de santo é uma coisa, o santo é outra. Se nós não adoramos os santos, muito menos suas imagens. A imagem faz parte da linguagem humana, é um símbolo que remete para o santo que viveu e pôs em prática as palavras do Evangelho. Como se erguem estátuas de heróis nacionais nas praças para fomentar o patriotismo das novas gerações, assim também, as estátuas dos santos têm como objetivo catequizar e fomentar os valores cristãos nas novas gerações de fiéis.

            No Antigo Testamento Deus proibiu fazer imagens para serem adoradas como deuses (Ex 20,1-5). Mas não proibiu, pelo contrário, determinou a confecção de algumas imagens para decorar o templo (1Rs 6,23-35) e para, por meio delas, invocar-lhe proteção (Nm 21,7-9).

Se no culto aos santos houve exagero e, por vezes, ainda existem, tais excrescências não autorizam ninguém a acusar os católicos de idólatras, muito menos, a entrar numa igreja e destruir as imagens ali existentes.

fonte dioceseprocopense.org.br