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Papa: a misericórdia é o que ajuda a superar a lei mundana da retaliação
24/02/2019 09:32 em Novidades
 

Cidade do Vaticano

Depois de presidir na Sala Régia a Celebração Eucarística conclusiva do encontro sobre a Proteção de Menores na Igreja, o Papa Francisco rezou o Angelus com os milhares de peregrinos presentes na Paraça São Pedro:

"Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo, diz respeito a um ponto central e caracterizador da vida cristã: o amor pelos inimigos. As palavras de Jesus são claras: “A vós, que me escutais, eu digo: Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam, e rezai por aqueles que vos caluniam”. E isto não é uma opção, é uma ordem. Não é para todos, mas para os discípulos, que Jesus chama de "vós que me escutais".

Ele sabe muito bem que amar os inimigos ultrapassa as nossas possibilidades, mas para isso se fez homem: não para deixar-nos assim como somos, mas para nos transformar, nos transformar em homens e mulheres capazes de um amor maior, aquele de seu e nosso Pai . Este é o amor que Jesus dá a quem o "escuta". E então isso se torna possível! Com Ele, graças ao seu amor, ao seu Espírito, nós podemos amar também aqueles que não nos amam, mesmo aqueles que nos fazem mal.

Deste modo, Jesus quer que em cada coração o amor de Deus triunfe sobre o ódio e o rancor. A lógica do amor, que culmina na cruz de Cristo, é o que caracteriza do cristão e nos leva a ir de encontro a todos, com coração de irmãos. Mas como é possível superar o instinto humano e a lei mundana da retaliação? A resposta é dada por Jesus na mesma página do Evangelho. Assim diz Jesus: "Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso".

Quem ouve Jesus, que se esforça para segui-lo, mesmo que isso tenha seu preço, torna-se filho de Deus e começa a se assemelhar realmente ao Pai que está nos Céus. Nos tornamos capazes de coisas que nunca teríamos pensado ser capazes dizer ou fazer, e das quais nos teríamos até mesmo envergonhado, mas que agora, pelo contrário, nos dão paz e alegria. Não temos mais necessidade de ser violentos, com as palavras e os gestos; nos descobrimos capazes de ternura e de bondade; e sentimos que tudo isso não vem de nós, mas dEle! E,  portanto, não nos vangloriamos disso, mas somos agradecidos.

Não há nada maior e mais fecundo do que o amor: ele confere à pessoa toda a sua dignidade, enquanto, pelo contrário, ódio e a vingança a diminuem, deturpando a beleza da criatura feita à imagem de Deus.

Esta ordem, para responder ao insulto e ao erro com o amor, criou uma nova cultura no mundo: a "cultura da misericórdia - e devemos aprendê-la bem, hein! E praticá-la bem - esta cultura da misericórdia que dá vida a uma verdadeira revolução" (Carta Apostólica Misericordia et misera, 20..). É a revolução do amor, cujos protagonistas são os mártires de todos os tempos. E Jesus nos assegura que nosso comportamento, marcado pelo amor para com aqueles que nos fazem mal, não será em vão. Ele diz: "Perdoai e sereis perdoados. Dai e vos será dado (...) porque, com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos”. É belo isto. Será algo belo que Deus nos dará se nós somos generosos, misericordiosos.

Devemos perdoar porque Deus nos perdoou e ele sempre nos perdoa. Se não perdoarmos totalmente, não podemos pretender ser perdoados totalmente. Em vez disso, se os nossos corações se abrem à misericórdia, se o perdão é selado com um abraço fraterno e se estreitam os laços de comunhão, nós proclamamos ao mundo que é possível  vencer o mal com o bem.

Às vezes para nós é mais fácil recordar as ofensas, os males que nos fizeram e não as coisas boas, a ponto que existem pessoas que tem este costume e se torna uma doença. São os "colecionadores de injustiças": somente recordam as coisas ruins que fizeram. E este não é o caminho. Devemos fazer o contrário, diz Jesus. Recordar as coisas boas é quando alguém vem com uma fofoca, que fala mal do outro, e dizer: "Mas, sim, quem sabe, mas ele tem isto de bom". Inverter o discurso. Esta é a revolução da misericórdia.

Que a Virgem Maria nos ajude a deixar-nos tocar o coração por esta palavra santa de Jesus, queimando como fogo, que nos transforma e nos torna capazes de fazer o bem sem recompensa, fazer o bem sem recompensa, testemunhando em toda parte testemunhar a vitória do amor".

fonte https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2019-02/papa-francisco-angelus-24-fevereiro-vatiab.html#play

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