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Palavra do Bispo Dom Manoel João Francisco "Jornada Mundial dos Pobres"
18/11/2018 15:25 em Novidades

Jornada Mundial dos Pobres

 

 

No próximo domingo, dia 18, nós, católicos, estaremos celebrando a segunda Jornada Mundial dos Pobres, instituída pelo Papa Francisco em 2016, ao encerrar o Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Esta iniciativa, com toda a certeza, chegou em boa hora. Pois como já afirmou alguém: “Falar dos pobres na Igreja não é uma questão entre tantas. É sem dúvida, a questão mais urgente e mais profunda que se põe para a Igreja e, por conseguinte, para os cristãos. Afinal de contas a economia está organizada de tal maneira que produz, em cada vinte e quatro horas, pelo menos 70 mil mortos. O Papa explicou que esta celebração da Jornada Mundial dos Pobres “será a mais digna preparação para bem viver a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo”, que encerra o ano litúrgico na Igreja católica, evocando a sua identificação “com os mais pequenos e os mais pobres” . Ainda, segundo o Papa, este “será um dia que vai ajudar as comunidades e cada batizado a refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho e a tomar consciência de que não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa” (Lc 16,19-21). “Além disso, este dia constituirá uma forma genuína de nova evangelização (Mt 11,5), procurando renovar o rosto da Igreja na sua perene ação de conversão pastoral para ser testemunha da misericórdia” (MM 21). Todos nós sabemos que a defesa da pessoa e da dignidade do pobre é parte constitutiva da revelação bíblica e da fé dos cristãos. A fé do povo da Bíblia não nasce de considerações teóricas sobre a existência de um ser supremo que cria e ordena tudo o que existe. O Deus que se revela na Bíblia é um Deus que viu a exploração do povo escravizado pelo regime opressor de Faraó, ouviu seu grito de aflição, tomou conhecimento de seus sofrimentos e desceu para libertá-lo de quem o oprimia (Ex 3,7-10). Segundo a pregação do profeta Jeremias “somente quem defende o direito do pobre e do indigente pode conhecer a Deus (Jr 22,13-16). Conhecer em linguagem bíblica significa “experimentar”. Aliás, esta é também a linguagem popular. Quando dizemos que conhecemos nosso pai ou nossa mãe, todo mundo entende que não estamos falando de conhecimento adquirido nos livros, mas de conhecimento advindo da convivência e da experiência diária com ele e com ela. Portanto, para conhecer a Deus precisamos fazer experiência de vida pobre e com os pobres, pois a prática é o lugar de verificação de nossa fé. Parece interessante, também aqui, chamar a atenção para a palavra “verificação”. Ela deriva do advérbio “vere” (verdadeiro) e do verbo fare (fazer). O enunciado de fé, embora correto na sua formulação, não significa fé verdadeira. A fé só será verdadeira, se houver uma prática coerente com o enunciado. A fé em Deus só será autêntica, se em nossa pratica assumirmos a defesa dos pobres e com eles partilharmos as suas dores e sofrimentos. Neste sentido a Bíblia contém textos muito severos como esta passagem do livro do Eclesiástico: “Quem oferece um sacrifício com o bem dos pobres é como quem imola um filho na presença do pai. A vida dos pobres é o pão de que necessitam; quem dele os priva é um assassino. Quem subtrai o pão do suor é como quem mata o seu próximo. Derrama sangue, quem defrauda o assalariado”. (Eclo 34,24-27). Nossa Igreja, continuadora da mensagem bíblica, através dos tempos andou pelos mesmos caminhos como se pode ver do testemunho deixado pelos primeiros cristãos. No início do Novo Testamento encontramos o testemunho da comunidade de Jerusalém que escolhe sete homens “cheios do Espírito e de sabedoria”(At 6,3) para assumir o serviço de assistência aos pobres. No século III, a Didascalia, uma espécie de diretório litúrgico e canônico de primeira importância, manda que, quando a comunidade eclesial está reunida, sem nenhum lugar livre, se, por acaso, chegar um pobre, será o bispo a ceder seu lugar para o mendigo recém chegado e a sentar-se no chão. “Que a Jornada Mundial dos Pobres, a ser celebrada pela segunda vez, no próximo domingo, se torne um forte apelo à nossa consciência crente, para ficarmos cada vez mais convictos de que partilhar com os pobres permite-nos compreender o Evangelho na sua verdade mais profunda. Os pobres não são um problema: são um recurso de que se pode lançar mão para acolher e viver a essência do Evangelho”.

fonte dioceseprocopense.org.br

 
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