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Palavra do Bispo Dom Manoel João Francisco "Nossa salvação está em Deus"
06/07/2018 - 15h45 em Novidades

Palavra do Bispo Dom Manoel João Francisco

 

Nossa salvação está em Deus

 

 

 

É próprio do ser humano preocupar-se com sua origem e o seu destino. Todos nós, no mais íntimo de nós mesmos, nos perguntamos: donde vim e para onde vou? No fundo estamos preocupados com a nossa realização, ou em termos teológicos, com a nossa salvação. As respostas são as mais diversas.

      Muitos acham que tudo vai depender de suas próprias forças, confundindo salvação com saúde, beleza física, boa fama, bem estar econômico, poder ou influência sobre os outros, paz interior e convivência pacífica. Esses, de fato, são valores que merecem nossa atenção, mas não deixam de ser transitórios e insuficientes.

      Sobre este assunto o Papa Francisco, com freqüência, tem chamado a nossa atenção para dois sérios perigos: o gnosticismo e o pelagianismo.

      “O gnosticismo supõe uma fé fechada no subjetivismo, onde apenas interessa uma determinada experiência ou uma série de raciocínios e conhecimentos que supostamente confortam e iluminam, mas, em última instância, a pessoa fica enclausurada na imanência da sua própria razão ou dos seus sentimentos. O pelagianismo auto-referencial e prometéico de quem, no fundo, só confia nas suas próprias forças e se sente superior aos outros por cumprir determinadas normas ou por ser irredutivelmente fiel a um certo estilo católico próprio do passado. É uma suposta segurança doutrinal ou disciplinar que dá lugar a um elitismo narcisista e autoritário, onde, em vez de evangelizar, se analisam e classificam os demais e, em vez de facilitar o acesso à graça, consomem suas energias a controlar” (EG 94).

      O fascínio e o encanto que, tanto o gnosticismo quanto o pelagianismo exercem sobre os cristãos não é coisa nova. Este perigo sempre rondou os seguidores de Cristo.

      Nas duas cartas a Timóteo aparece uma admoestação para que se “evite os discursos fúteis e ímpios, bem como as objeções de uma falsa ciência”(1Tm 6,20). Este tipo de discussão “não tem nenhuma utilidade, serve apenas para a perdição.(...). Os que a ela se entregam progredirão cada vez mais na impiedade, e suas palavras se alastrarão como gangrena” (2Tm 2,14-17). Segundo a maioria dos exegetas, provavelmente temos aqui um alerta contra uma forma incipiente ou rudimentar de gnosticismo.

      Com certeza, foi também contra as falsas pretensões gnósticas que João escreveu: “Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo o espírito que confessa Jesus Cristo vindo na carne é de Deus; e todo o espírito que divide Jesus não é de Deus; é o espírito do anticristo, do qual ouvistes dizer que virá, e agora já está no mundo” (1Jo 4,2-3). A nota da Tradução Ecumênica da Bíblia (TEBE) observa: “A heresia aqui condenada consiste em dissociar o Cristo, ser celeste e glorioso, do homem Jesus, que viveu e morreu entre nós”. Era justamente isto o que ensinavam os gnósticos.

      A fé cristã nos ensina que a nossa salvação está nas mãos de Deus. Desde antes da fundação do mundo, ele nos escolheu como filhos em Cristo, nosso Senhor. “Em Cristo, segundo o propósito daquele que opera tudo de acordo com a decisão de sua vontade, fomos feitos seus herdeiros, predestinados a ser, para o louvor da sua glória, os primeiros a pôr em Cristo nossa esperança” (Ef 1,11).

      Em fevereiro desde ano de 2018 a Congregação para a Doutrina da Fé publicou um documento “sobre alguns aspectos da salvação cristã que possam, hoje, ser difíceis de compreender por causa das recentes transformações sociais”. Seus autores são muito claros em seus objetivos: pretendem na linha da grande tradição da fé e com especial referência ao ensinamento do Papa Francisco “reafirmar que, a salvação consiste na nossa união com Cristo, que, com sua encarnação, vida, morte e ressurreição, gerou uma nova ordem de relações com o Pai e entre os homens, e nos introduziu nesta ordem graças ao dom do seu Espírito, para que possamos unir-nos ao Pai como filhos no Filho, e formar um só corpo no primogênito numa multidão de irmãos” (PD 4).

      Portanto, em se tratando de salvação, não é possível o mínimo deslize gnóstico ou pelagiano. Para a fé cristã, salvação não se conquista, se recebe. Além de ser dom proveniente de Cristo, Filho de Deus encarnado é também integral, ou seja, atinge o ser humano inteiro, corpo e alma.

      A nós que buscamos vivenciar a fé autêntica, pregada e ensinada pela Igreja, cabe o alerta: “Quem está de pé veja que não caia!” (1Cor 10,12). Faz parte também do nosso ser católicos, interceder junto a Deus pelos que vivem no erro do gnosticismo e do pelagianismo, e que, através das redes sociais, agridem a todos que ousam viver a virtude da misericórdia e pensam a Igreja como “hospital de campanha”. 

fonte dioceseprocopense.org.br

 

 
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