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Palavra do Bispo Dom Manoel "56ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil"
29/04/2018 08:44 em Novidades

56ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

 

 

Do dia 11 até o dia 20 de abril mais de 300 bispos brasileiros estiveram reunidos em Aparecida para participar da 56ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Foram 10 dias de oração e intenso trabalho. Vários documentos foram elaborados e aprovados. Dois deles – Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil Os Novos Estatutos da CNBB - só serão publicados após receberem a chancela ou indicações de ajustes por parte da Santa Sé.

         Aqui, quero apenas chamar a atenção para a mensagem intitulada “Eleições 2018: Compromisso e Esperança”. Trata-se de orientações dos Bispos aos fiéis católicos, mas também a todas as pessoas de boa vontade que queiram através do voto participar da construção de um Brasil mais democrático, mais respeitador da justiça e mais promotor da dignidade e bem estar de seu povo.

         Os Bispos iniciam, afirmando que escrevem a partir da consciência de que “a Igreja não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça” em seguida, dizem que olham “para a realidade brasileira com coração de pastores, preocupados com a defesa integral da vida e da dignidade da pessoa humana, especialmente dos pobres e dos excluídos”.

         Tendo justificado sua declaração, os Bispos passam diretamente ao assunto, ou seja, às eleições de 2018 que se aproximam.

         Em primeiro lugar chamam a atenção para a profunda crise que abala as estruturas democráticas do país e compromete a construção do bem comum, razão da verdadeira política. Na opinião dos Bispos “a atual situação do País exige discernimento e compromisso de todos os cidadãos, das instituições e organizações responsáveis pela justiça e pela construção do bem comum”.

         Diante da corrupção generalizada em todos os níveis de poder, os Bispos alertam para a falta de políticas públicas consistentes e o aumento do perigoso descrédito para com a política e os políticos, gerando como conseqüência “o aumento do desemprego e da violência, que no campo e na cidade, vitimam milhares de pessoas, sobretudo mulheres, pobres, jovens, negros e indígenas”.

         O clima de ódio e intolerância promovido, tanto pelas redes sociais como em manifestações públicas, precisa ser também levado em conta, porque provoca polarizações e radicalizações que “produzem posturas antidemocráticas, fechadas a toda possibilidade de diálogo e conciliação”.

         Diante de tudo isso, as eleições aparecem como instrumento para “garantir o fortalecimento da democracia e o exercício da cidadania da população brasileira”. Por isso, “nas eleições não se deve abrir mão de princípios éticos e de dispositivos legais, como o valor e a importância do voto, embora este não esgote o exercício da cidadania; o compromisso de acompanhar os eleitos e participar efetivamente da construção de um país justo, ético e igualitário; a lisura do processo eleitoral, fazendo valer as leis que o regem, particularmente, a Lei 9840/1999 de combate à corrupção eleitoral mediante a compra de votos e o uso da máquina administrativa, e a Lei 135/2010, conhecida como “Lei da Ficha Limpa”, que torna ilegível quem tenha sido condenado em decisão proferida por órgão judicial colegiado”.

         Os Bispos afirmam também que “não merecem ser eleitos ou reeleitos candidatos que se rendem a uma economia que coloca o lucro acima de tudo e não assumem o bem comum como sua meta, nem os que propõem e defendem reformas que atentam contra a vida dos pobres e sua dignidade. São igualmente reprováveis candidaturas motivadas pela busca do foro privilegiado e outras vantagens”. Concretamente, aqui os bispos querem se referir à reforma trabalhista que tirou direitos conquistados a duras penas pelos trabalhadores, o congelamento do orçamento da educação e da saúde por vinte anos, a tentativa de reforma da previdência e ultimamente as propostas de mudança no sistema único de saúde (SUS), defendidas pela Federação Brasileira de Planos de Saúde (Febraplan).

         Por fim os Bispos exortam a população brasileira para que faça “deste momento difícil uma oportunidade de crescimento, abandonando os caminhos da intolerância, do desânimo e do desencanto”; e, ao mesmo tempo, incentivam “as comunidades eclesiais a assumirem, à luz do Evangelho, a dimensão política da fé, a serviço do Reino de Deus”, alertando “para o cuidado com fake news, já presentes neste período pré-eleitoral, com tendência a se proliferarem, em ocasião das eleições, causando graves prejuízos à democracia”.

 

fonte dioceseprocopense.org.br

 
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