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Palavra do Bispo Dom Manoel João Francisco "Dia Mundial dos Pobres"
18/11/2017 - 18h29 em Novidades

Dia Mundial dos Pobres

 

 

 

No próximo domingo, os católicos do mundo inteiro, por desejo e determinação do Papa Francisco, estarão celebrando o “Dia Mundial dos Pobres”.

Ocorre que o termo “pobre” é muito complexo e denso, exigindo algum esclarecimento, para que a data seja bem celebrada.

Costuma-se distinguir três níveis de pobreza: pobreza real ou material, pobreza opção solidária e pobreza infância-espiritual.

Pobreza real ou material. Antes de tudo é preciso que se afirme que os pobres existem. No princípio está o pobre “com sua pobreza às costas”, como dizia Bartolomeu de las Casas, com seus sofrimentos, sua cultura, sua linguagem, sua raça, com a exploração social que experimenta, com sua fé cristã e com sua religiosidade, com tudo o que é e como é. A primeira dimensão a ser considerada no pobre é sua carência de bens materiais. Ser pobre sob este aspecto significa sofrer fome, ser analfabeto, ser explorado pelos outros, sem saber que é explorado.

Esta pobreza não é fruto da fatalidade, não é um infortúnio, mas resultado das injustiças sociais. Existem pobres porque existem ricos. O pobre é pobre porque foi empobrecido. A pobreza é uma situação escandalosa que atenta contra a dignidade humana, reflete a ruptura de solidariedade entre as pessoas humanas, contraria a vontade de Deus e patenteia uma situação de pecado que deve ser erradicada.

Este pensamento é antigo na Igreja. São Jerônimo que viveu no século IV, de forma muito clara já afirmava: “Todas as riquezas descendem da injustiça e, sem que um tenha perdido, o outro não pode ter achado. Por isso, parece-me que é muito verdadeiro aquele provérbio: o rico é injusto ou herdeiro de um injusto”.

Se a pobreza é fruto do pecado, o cristão não pode se resignar nem se curvar diante da fome, da exploração, da saúde precária, da falta de moradia, do acesso difícil à educação escolar, dos baixos salários, da morte prematura e injusta, da criminalização das pastorais e movimentos sociais.

Pobreza Opção-solidária. Nesta acepção de pobreza, da parte de quem possui bens materiais e privilégios sociais, significa um compromisso de solidariedade  com os pobres, assumindo como seus os interesses, a vida, e as aspirações dos pobres e excluídos. Da parte de quem já é pobre, significa assumir sua condição de pobre, fazendo sua opção solidária por seus irmãos de classe, cultura, raça e condição, a fim de testemunhar o mal da pobreza, fruto do pecado e da ruptura de comunhão com Deus e com os demais seres humanos. Nesta acepção de pobreza-solidária, de objeto de caridade e solidariedade, o pobre passa a ser sujeito. De uma tarefa meramente assistencial passa-se à luta comao lado do pobre que luta e, é agente do seu próprio destino. Exige-se, por isso, de quem opta pelos pobres, não apenas sentimentos de compaixão, mas uma verdadeira conversão.

O pobre tem uma maneira própria de sentir, de conhecer, de raciocinar, de fazer amigos, de amar, de crer, de sofrer, de festejar, de orar. Os pobres constituem um mundo próprio. Optar por eles significa entrar e permanecer neste mundo deles. Com os pobres aprendemos a confiar em Deus, a resistir na penúria e na falta das coisas, a passar com pouco, a perceber como a vida é teimosa. Aprendemos a não ser auto-suficientes, a partilhar com os outros, aceitando que os outros partilhem conosco o seu pouco. Pela pobreza opção-solidária, o cristão abraça a pobreza para combatê-la e protestar contra ela.

Pobreza Infância Espiritual.  O pobre em espírito é alguém tocado pela misericórdia. Ser pobre em espírito é uma das noções centrais do Evangelho. Trata-se da plena disponibilidade diante do Senhor, da consciência de que o nosso alimento é fazer a vontade do Pai (Jo 4,34). Pobreza infância-espiritual é a atitude dos que se sabem filhos e filhas de Deus, e como conseqüência, irmãos e irmãs dos outros seres humanos.

A pobreza infância espiritual não libera da necessidade de se praticar a justiça em favor dos pobres, mas liberta da tentação de prender Deus dentro de uma concepção estreita de justiça e do espírito de revanchismo. A justiça só será verdadeira e profunda se estiver impregnada de gratuidade e de perdão. Várias parábolas do Evangelho ilustram a justiça gratuita de Deus (Mt 20,1-16; 22,2-10). A pobreza opção-solidária exige a pobreza infância-espiritual. Como afirma Gustavo Gutierrez, o grande teólogo peruano: “somente a partir da pobreza infância-espiritual é que poderemos nos comprometer verdadeiramente com os pobres e os excluídos”. Somente se estamos à disposição do Senhor podemos colocar-nos à disposição do próximo e praticar a justiça e o amor.

fonte dioceseprocopense.org.br

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