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Palavra do Bispo Dom Manoel "Prevenção ao suicídio"
28/09/2017 - 2h34 em Novidades

Prevenção ao suicídio

 

 

 

Semana passada escrevi sobre o setembro amarelo instituído em 2015 para conscientizar sobre a importância da Prevenção ao suicídio. Não imaginava que o problema estava tão perto de mim. Sexta feira, uma jovem senhora tirou a própria vida, jogando-se de um dos andares de um prédio próximo à minha casa.

         Falei sobre o que a Igreja católica diz a respeito do suicídio, mas parece que poderia ter sido mais claro. Por isso nesta semana estou voltando ao assunto.

         Em sua ação pastoral, a Igreja, atenta ao progresso da ciência, deixou de olhar o suicídio como problema moral, e passou a vê-lo como problema de saúde. Especialistas na área da saúde atestam que os que tiram a própria vida não podem ser responsabilizados pelo seu ato. Eles merecem mais compaixão do que reprovação. Ninguém se suicida por prazer. Atrás de cada caso, sempre existe uma história, geralmente de dor e sofrimento. Na maioria das vezes, o estado emocional da pessoa, que acaba com a própria vida, está muito abalado. Sua percepção da realidade está profundamente distorcida. Por isso não lhes é negado nenhum rito religioso. Além disso, a Igreja, através de seus agentes de pastoral, procura marcar uma presença amiga junto dos familiares do suicida. A dor da perda de alguém por suicídio é uma das mais difíceis experiências. A ação da Igreja, em caso de suicídio, como se vê, concentra-se no fato já consumado. A prevenção, porém, exceto raras exceções, não tem tido maior destaque. Parece que, por trás, está um falso medo de que a abordagem direta do suicídio venha despertar ou aumentar o problema, ou seja, levar os fiéis a um perigoso envolvimento com o tema, causando o oposto daquilo que se deseja. Entende-se certa prudência pastoral. Mas, sem dúvida, tem sido equivocada a opção pelo silêncio e pela ausência de uma pastoral que se preocupe explicitamente com a prevenção ao suicídio. Não é raro que pessoas em risco de suicídio busquem amparo e auxílio na Igreja. Nestas oportunidades, a acolhida e o auxílio espiritual são de fundamental importância. Não se trata de substituir o serviço médico, mas, de anunciar o Evangelho e de orientar no sentido da vida e do amor. Com certeza, nestas ocasiões, estudos científicos sobre o assunto poderiam auxiliar muito a prática cristã e a pastoral da Igreja. Neste sentido a Organização Mundial da Saúde (OMS) elaborou um subsídio muito interessante. Trata-se de um texto de 22 páginas com orientações muito práticas e simples. Qualquer agente de pastoral, com um mínimo de treinamento poderá aplicá-lo. A título de exemplo transcrevo o que é dito sobre o modo de identificar, o atendimento e o encaminhamento de um paciente com risco de suicídio.

         Sinais de identificação.

         Comportamento retraído, inabilidade para se relacionar com a família e amigos; doença psiquiátrica, alcoolismo, ansiedade ou pânico; mudança na personalidade, irritabilidade, pessimismo, depressão ou apatia; mudança no hábito alimentar e de sono; tentativa de suicídio anterior; odiar-se, sentimento de culpa, de se sentir sem valor ou com vergonha; perda recente importante (morte, divórcio, separação...); história familiar de suicídio; desejo súbito de concluir os afazeres pessoais; organizar documentos, escrever um testamento.....; sentimento de solidão, impotência, desesperança; cartas de despedida, doença física; menção repetida de morte ou suicídio.

         Atendimento: o que fazer?

         Ouvir, mostrar empatia e ficar calmo; ser afetuoso e dar apoio; levar a situação a sério e verificar o grau de risco; perguntar sobre tentativas anteriores; explorar as outras saídas, além do suicídio; ganhar tempo e fazer um contrato; identificar outras formas de dar apoio emocional; remover os meios, se possível; tomar atitudes, contar a outros, procurar ajuda; se o risco é grande ficar com a pessoa.

         O que não fazer

         Ignorar a situação; ficar chocado ou envergonhado e em pânico; falar que tudo vai ficar bem; desafiar a pessoa a continuar em frente; fazer o problema parecer trivial; dar falsas garantias; jurar segredo; deixar a pessoa sozinha.

         Encaminhamento: Quando encaminhar

Quando a pessoa tem: doença psiquiátrica, uma história de tentativa de suicídio anterior, uma história familiar de suicídio, alcoolismo ou doença mental; doença física; nenhum apoio social.

         Como encaminhar

            Explicar para a pessoa a razão do encaminhamento; marcar a consulta; esclarecer que o encaminhamento não significa que o agente de pastoral está lavando as mãos em relação ao problema; procurar a pessoa depois da consulta; manter contato periódico.

            Talvez não seja o caso de organizar uma pastoral específica para a prevenção do suicídio, mas de, além da formação espiritual dos agentes das diversas pastorais, proporcionar informação e orientação como as contidas neste “Guia de Prevenção do Suicídio” da Organização Mundial da Saúde, na perspectiva de ajudar tantos irmãos e irmãs que estão sob o risco de dar fim à própria vida.

fonte dioceseprocopense.org.br

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